Um novo projeto

Explicando o que é tudo isso, o que isso vai ser e quais minhas ideias pro futuro da minha vida como artista

A muito eu tenho tido projetos. Não só a muito tempo, mas em muita quantidade. Maior parte deles, confesso, são inacabados, deixados de lado e até esquecidos. E estão assim por vários motivos, desde meu eventual desinteresse, até impossibilidade técnica ou intelectual do autor. Mas muitos também por faltar um processo, um processo pra auxiliar na conclusão de projetos, incentivos pra isso, metas a longo prazo, e não apenas tarefas da semana que serão esquecida com facilidade. Além disso, meus projetos caminham por uma gama de temas, tipos, assuntos diferentes que nunca seria possível organiza-los todos em uma plataforma (por causa de como os algoritmos funcionam). Por isso tudo ficou muito distante, separado, deixado de lado porque me desapego da ferramenta, da dinâmica, do assunto ou me frustro no meio do processo e acabo indo pra próxima ideia.

E essa maldita próxima ideia, sempre parece maior que a anterior, melhor, mais gostosa, mais atraente, mais promissora. E agora, tão rápido quanto a que antes, ontem pra ser mais exato, assumia esse mesmo papel, agora é destronada pela ideia de (hoje?) amanhã. Não faço ideia de onde isso vem, será que tenho medo de criar algo e fracassar? Será que me cobro tanto pra ser perfeito no que boto no mundo, que isso faz com que eu não bote no mundo? Será que, tentando evitar ser o artista que nunca criou nada, que todos tememos ser, eu acabei me tornando ele disfarçadamente? Quase como uma mania infiltrada pra causar o caos?

De qualquer forma, o que quero dizer é que minha forma de produção nunca me agradou muito, pois fez com que eu não compartilhasse, não chegasse no fim, algo tão necessário não só para artistas, mas pra satisfação humana também. O compartilhar, o melhorar, o demonstrar, o expressar.

Os projetos que cheguei mais longe de um ponto final, foram projetos mais públicos, projetos dos quais eu tinha um apego a sua documentação pública, e os que tinham haver com as minhas maiores paixoes, como o interpreteoteca, um podcast que produzo uma vez por ano (e nunca morreu). Outro projeto publico foi o joguinho em DragonRuby. Ele foi muito longe porque ele chegava em mais pessoas, tinha uma referencia pública (o Tiktok) e isso me ajudou a avançar, pela animação dele estar sendo visto, por ter a observação e aprovação do público, de interessados (talvez eu tenha que ver isso na terapia). Outro projeto que estou indo bem longe é o de Self-Hosting, cheguei bem mais longe do que geralmente chego em projetos. Consigo contar nos dedos o que falta pra finalizar. Ou seja, se eu tiver algum tipo de documentação pública, como youtube, textos e etc serve como um incentivo para esses projetos.

Somando tudo temos: nunca terminar as coisas + ideias chegando a milhares + espalhamento dos projetos em diversos pontos desconexos desde plataformas até mídias diferentes. Isso tudo dentro da internet, o único lugar onde as coisas realmente somem, onde a "matéria" desse campo etério nada mais é do que a menor representação de matéria: 0s e 1s.

O que sobra? Sobram projetos inacabados, abandonados, esquecidos, descompilados, com diversos tipos de formas de orgnização diferentes, espalhado por dezenas de plataformas não correlatas e fechadas em sí. Minha vida, minhas obras, minhas ideias, meus arquivamentos de criação, minha criatividade. Espalhada, separada.

Esse projeto, que voz apresento hoje, pretende melhorar isso. Sim, estou finalmente tentando resolver o problema de nunca terminar projetos, começando um novo projeto sobre terminar projetos. E assim Císifo continua sua tortura.

Todo esse discurso foi só pra dizer que esse projeto que você esta lendo agora nada mais é do que a coletânea artística, politica e pessoal do Renato.

Um lugar onde todos meus projetos estarão explicados e devidamente documentados, preservados e corretamente direcionado para sua respectiva plataforma. Aqui também documentarei parte de todos esses projetos, criando uma ferramenta que me ajude a focar na produção e que cresça com o tempo.

É curioso pois querendo ou não, esse é só um outro projeto pra me fazer fugir do meu projeto passado. Mas terei fé de que essa vozinha é só uma parte mais chata de mim, que quer me destruir. E vou acreditar no meu coração e produzir algo que eu acredito. Essa plataforma pra guardar e organizar tudo da minhas produções, documentação delas e talvez eventualmente sua própria organização e compartilhamento. Quero construir coisas, quero finaliza-las, quero ter a satisfação de estar feito com algo, ter algo concluído. E que essa satisfação me ajude a pegar mais leve com a pressão do perfecionismo, conseguir criar com menos cobrança e simplesmente ser um artista menos frustrado, uma pessoa melhor.

Conversando comigo mesmo decidi: a partir de agora eu não crio novos projetos, só finalizo coisas que já comecei. Começando por esse site, depois o jogo e em seguida um album musical, esses são os próximos passos.

Preciso finalizar as coisas

A ideia aqui é criar não só um processo, mas uma forma de pensar que me ajude a finalizar as coisas, além de regras claras. Trabalhar na disciplina de finalizar as coisas. (essa frase parece escrita por LLM, uhg).

Percebi como isso afeta minha satisfação na vida, principalmente como artista e pessoa criativa.

Primeira coisa que eu defini:

  • Daqui pra frente, eu não crio novos projetos. 0, só projetos que já exsitem serão trabalhados. Pois já existem muitos e muitas ideias.
  • Parar de ser impulsivo, parar de achar novas obsessões que vão durar muito tempo. Se eu ficar curioso sobre algo, essa curiosidade tem que ser resolvida no mesmo dia. Quer entender como funciona arquivamente? Leia sobre arquivamento hoje, mas não guarde coisas pra ler depois, você nunca vai ler. Se não é algo que eu planejei fazer, não vou fazer. Pois se não foi planejado, não entra na agenda, e não faz sentido.
  • Definir objetivos claros: Tudo que eu fizer tem que ter um objetivo claro e fazer sentido com o que eu realmente quero pra minha vida e pros meus projetos. Usar o método Smart:
    • Specific: Todo objetivo tem que ser específico, claro, bem definido, nada abstrato e fora da casinha. Onde, quando, como, quem
    • Mesurable: Todo objetivo tem que ser metrificavel, quanto tempo vai levar, o que representa pro projeto
    • Achivable: tem que ser algo que é atingível, algo realistico e não algo distante e irreal. Nada além das capacidades humanas,
    • Relevant: tem que ser algo importante pra mim e pra minha vida, relevante pros meus interesses alongo prazo, interesses políticos e artísticos
    • time-bound: tem que ter uma data limite, um período de construção e não algo infinito ou indeterminado
  • Aprender a priorizar: Tem que existir 1 única prioridade, e essa deve ser usada como régua pra todo o resto, pra toda tomada de decisões, todo novo engajamento. Assim essa prioridade nunca vai ser abandonada, nem perder prioridade até ser concluída
  • Encontrar e escrever suas razões do porque continuar, do porque finalizar um projeto, do porque trabalhar em algo, do porque não desistir

regras

  • A primeira versão tem que vir o quanto antes, independente de quão distante da versão final ela esteja